O sonho começa a ser realizado

O último dia 31 de outurbro sagrou-se como uma data histórica para o Brasil. O país do “verde-branco-azul anil” alcançou um antigo objetivo: o de sediar – novamente – uma Copa do Mundo de Futebol masculino. O anúncio foi feito em evento realizado na sede da Fifa, em Zurique – Suíça, e contou com a participação de medalhões do futebol mundial, dos quais destacam-se o presidente da Fifa, Joseph Blather, o presidente da Uefa, Michel Platini, o ex-craque e presidente do comitê organizador da última Copa do Mundo, realizada na Alemanha, Franz Beckenbauer, entre outras figuras. Fizeram parte da comitiva Brasileira, o presidente Luis Inácio Lula da Silva, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o atual técnico da seleção brasileira, Dunga, o escritor Paulo Coelho, o quase técnico e ex-jogador Romário, além de 12 governadores de estados brasileiros.
O Brasil era candidato único e, portanto, bastava cumprir as orientações e recomendações do caderno de encargos da Fifa para obter o direito e a responsabilidade de sediar o mundial de 2014. E, ao longo da campanha brasileira, foi o observado : grande comprometimento das autoridades governamentais, envolvimento entre as cidades que pleiteiam ser sub-sedes, projetos ambiciosos e arrojados para construção de novos estádios e centros esportivos e melhoria na infra-estrutura das cidades, como malha rodoviária e aérea, setor hoteleiro, segurança e transporte público.
A decisão foi tomada por unanimidade pelos membros da Fifa – a entidade se orgulha de possuir mais membros do que a própria ONU – e do Comitê Executivo, que ficaram maravilhados com a apresentação oficial do Brasil, que focou em uma questão bastante recorrente na atualidade – os recursos renováveis, o desenvolvimento sustentável e a preservação das áreas verdes, sobretudo da Amazônia. Todavia, o fator preponderante para a decisão é a de que se tratava de um país pentacampeão mundial e a natural e coerente obediência ao sistema de rodízio entre os continentes.
Ausência da história
De que Pelé e a CBF possuem visões diferentes, defendem pontos de vista divergentes e ostentam uma relação arisca todos têm conhecimento, no entanto, esperava-se que ambas as partes superassem esses pontos conflitantes e se unissem em prol de uma causa maior. Mas, não foi o verificado durante toda campanha de bastidores e em eventos oficiais. O que se viu foi uma infeliz tentativa, por parte da CBF, de amputar da história futebolística brasileira a personificação da arte e genialidade do nosso futebol, haja vista o ínfimo espaço concedido ao rei Pelé no vídeo oficial de apresentação da candidatura canária, equivalente ao dispensado ao Branco – nada contra ao Branco, tudo a favor do Pelé. A ausência do ex-jogador foi sentida em todo o período eletivo. O auge da crise se deu na cerimônia oficial promovida no último dia 31, onde Pelé nem sequer fez parte da comitiva responsável pela apresentação do projeto aos dirigentes da Fifa. Segundo a assessoria de imprensa da CBF e a de Pelé, o motivo da ausência foi em decorrência da participação do rei em uma feira de produtos especializados em futebol, realizada na Alemanha. Mas, as assessorias – articuladamente ou não – esqueceram de um pequeno e importante detalhe: a feira teria seu início no dia 1º de novembro, ou seja, um dia após a cerimônia em Zurique.
Oportunidade para ações escusas
Passada a euforia inicial é hora de pensar racionalmente e analisar os prós e os contras de se realizar um evento de tamanha complexidade e magnitude. Como diz, sabiamente, o jornalista esportivo Flávio Prado, da rádio Jovem Pan AM de São Paulo, em virtude do anúncio do Brasil como sede da Copa 2014, o futuro dos filhos de grandes empresários brasileiros está garantido, partindo-se do pressuposto dos ganhos provenientes – a esses grandes empresários – com a promoção dessa disputa. Eu acrescentaria que, além do futuro dos filhos dos barões brasileiros, as grandes empreiteiras – famigeradas pelos motivos que todos já conhecem – terão a grande oportunidade – em conjunto com determinados políticos em projetos de superfaturamento de orçamentos – de alavancar seus rendimentos e patrimônio.
Esse evento “esportivo” também servirá de palanque para uma série de autoridades que se auto-promoverão por meio de obras e possíveis benefícios que as mesmas proporcionarão. Diante desse cenário, é entristecedor constatar a quantidade exacerbada de mal intencionados e oportunistas capazes de mazelas inacreditáveis em busca de fundos para promoção de uma FESTA, que proverá grandes conquistas a ELES, mas manterá na mesma os índices de déficit na educação, saúde, saneamento básico…
Outro aspecto negativo em ser responsável pela organização de eventos como esse, será a tentativa – novamente – de macular uma CPI do Futebol, tão necessária para apurar os desmandos de gestões como MSI-Corinthians, suspeitos contratos estabelecidos pela CBF, entre outros desregramentos verificados na condução do futebol brasileiro. Infelizmente, contamos com um forte lobby nos bastidores do Congresso para a não realização de tal comissão, uma vez que envolve político-torcedores, empresas patrocinadoras e troca de favores. Ou será que ninguém se recorda dos 10 casos em que o excelentíssimo Ricardo Teixeira fora indiciado durante a CPI da Nike, em 2001? E não houve nenhuma espécie de punição, retaliação e, tampouco, investigação. Num país onde o Futebol supera – em termos de importância – questões conjunturais, como a saúde da população, é bastante complexo tentar instituir medidas coercitivas que certamente afetariam centenas de sanguessugas dessa paixão nacional.
Elitização do Futebol
O comitê Executivo da Fifa, no último dia 29, aprovou o fim do sistema de rodízio de continentes para a Copa do mundo. Ou seja, a partir de 2018 só será escolhido aquele país que apresentar o melhor projeto para a realização do mundial. Trocando em miúdos, apenas países que reúnam condições financeiras necessárias para a realização – sem riscos – do evento estarão credenciados. A partir dessa notícia, países como Inglaterra, Austrália, Canadá, China e Estados Unidos já manifestaram interesse em sediar o mundial de 2018. Ao contrário de outros críticos que, veementemente criticaram a medida da entidade maior do futebol, alegando uma “elitização do futebol”, penso de uma forma distinta. Realmente haverá uma elitização, mas, não sou tão radical com relação ao tema. Simplesmente o comitê anunciou o fim de um projeto que teve seu início na Ásia, por meio da Copa Japão-Coréia, terá sua continuidade na África do Sul em 2010 e seu encerramento em 2018 com a Copa na América do Sul. Não acho que seja uma temeridade retomar essa linha de pensamento criteriosa, apenas serão escolhidos os concorrentes que realmente cumprirem as exigências estabelecidas, sem qualquer tipo de predileção com localidades geográficas.
Chance única
Temos em mãos uma chance singular de promover uma grande festa, mostrar ao mundo as peculiaridades de um povo altamente alegre e hospitaleiro e apresentar todo o potencial desenvolvimentista desta que é uma das maiores e mais importantes economias do globo. Grande parcela de nossos principais estádios será modernizada e, concomitantemente, os torcedores terão um tratamento diferenciado e de excelência. Será um evento único, com as características brasileiras, diferentemente de mundiais anteriores, realizados envoltos de culturas distintas.
Para o jornalismo esportivo brasileiro, uma imensurável janela de oportunidades se apresenta. Para os já conceituados jornalistas da área será o momento de consolidação de carreiras e acompanhar de camarote um dos dois supra-sumos de eventos esportivos mundiais – o segundo seria as Olimpíadas, evento este que o Brasil também pleiteia sediar – em casa. Para os iniciantes – como o dono deste blog e eu – é, antes de tudo, a realização de um sonho: trabalhar na cobertura de uma Copa do Mundo de Futebol, uma meta de vida e, por conseqüência, uma espécie de trampolim profissional, afinal de contas, não é todo dia que o país do futebol tem a oportunidade de sediar a maior competição desse apaixonante e encantador esporte.
Diego Gomes
estudante de jornalismo
Foto: Futebol Real

Excelente artigo, precisamos de mais blogueiros assim, se quiser uma troca de link ou apenas acessar um forum de futebol pode acessar http://www.futebolforum.co.cc às 23:20
[...] [update] Sobre o mesmo tema: Faltou algo, Brazil 2014, Copa do Mundo de 2014 vai ser no Brasil, “grande novidade”, Quem vai pagar pela pela Copa, Comentários, Yes, nós temos banana, mulata, carnaval e agora Copa do Mundo, Brasil – sil – sil, O sonho começa a ser realizado [...]
É triste saber que há olhares não só distintos, como mal intencionados com relação a nossa Copa, mas o Brasil é assim, o mundo é assim. Eu prefiro olhar pro lado de que teremos “Chance ùnica” para mostrar ao mundo a nossa diferença, coisa que só o Brasil tem, ou terá como novos estádios, belos projetos. Além de tudo, esse é o mlhor evento esportivo na minha opnião! Minha vida para, quando começa a Copa, sofrem meus amigos e família, pois meus olhos são só do FUTEBOL, por isso não gostaria realmente de que o meu país fizesse feio!!
Parabéns Dom!!