26/01/2010, 9:43 por Wiliam Amorim
São Richard
São Paulo é tricampeão da Copa São Paulo, com direito a um novo herói

Foto: Rubens Chiri
Em 2006 na cidade de Berlin, o goleiro Jens Lehmann defendeu os pênaltis dos argentinos Ayala e Cambiasso e foi responsável por colocar a Alemanha nas semifinais da Copa. Naquele episódio que tinha uma partida tão equilibrada como pano de fundo, as defesas do goleiro alemão foram cruciais para a classificação. Lehmann contou com um estudo matemático do seu preparador que trouxe as probabilidades individuais de cada jogador, e evitou que a anfitriã parasse nas quartas.
Quatro anos depois no Pacamebu, não mais na Copa do Mundo, mas na Copinha, Richard, goleiro junior do São Paulo, desvendou a loteria dos pênaltis, assim como o preparador físico de Lehmann e deu ao clube paulista mais que uma classificação trouxe o tricampeonato da Copinha, pra uma torcida que tem saudade dos títulos em mata-mata, Richard se torna um novo herói. Com o time forte e imbatível o São Paulo goleou a maioria dos seus adversários e teve o artilheiro, melhor ataque e melhor defesa da competição. Mais que uma boa resposta ao espalhafato da imprensa que tenta mostrar falhas na estratégia da categoria de base do clube.
O adversário e vice-campeão foi o Santos. O Time praiano fez também uma excelente participação na Copinha, venceu o clássico contra o Palmeiras, um dos que entraram como favoritos. Até saíram na frente do São Paulo, mas segurar o melhor ataque da competição foi difícil e o empate era questão de tempo, bem como virar o jogo, tamanha pressão tricolor nos últimos segundos. Mas o apito final veio no placar de 1×1.
A copinha não é propriamente dita, profissional, é feita para revelar e não consagrar. Mas em uma final de campeonato, com camisas tradicionais em evidência no clássico Sansão e ainda a emoção da disputa de pênaltis, fica difícil não consagrar Richard o goleiro que foi 100% nas defesas, um herói que tem carreira promissora no futebol.
Goleiro que no decorrer da competição não estava entre os principais destaques, apesar das estatísticas o revelar a muralha do campeonato. No tricolor os destaques foram Lucas Gaúcho na artilheria, Casemiro na armação e Marcelinho com muita técnica. Para Richard bastou uma final equilibrada pra o tornar o herói da conquista.

Foto: Globoesporte.com
Outros torcedores podem falar que títulos sub-18 nem vale comemorar, mas quando se leva as cores e a camisa do São Paulo em campo e joga-se com o coração é a representação do futebol do seu time, o campeonato revela futuros jogadores que abrilhantarão o futebol brasileiro ou até mundial, portanto parabéns a este grupo, comandado por Sergio Baresi que se dedicou lutou e foi campeão.
Por Wiliam Amorim
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07/01/2010, 9:25 por Wiliam Amorim
Faltam N dias para começar a F1
Novidades na pista, no regulamento e nas equipes aumentam a expectativa para a temporada de 2010

Foto: Divulgação
A temporada de 2010 da Formula 1 só começa no dia 18 de Março, as 13 equipes inscritas ainda não estão com todos os seus pilotos prontos para as provas, mas confesso que nunca esperei a estréia da Formula 1 com tanta ansiedade. A velocidade e o som de um Formula 1, é uma melodia apaixonante.
Para esse ano, são muitos os ingredientes que alimentam tal agonia de ter que esperar ainda mais de dois meses. As reviravoltas que deram vida deram vida aos pilotos da BrawnGP (Button e Barrichello) e da RBR (Vettel e Webber) no ano passado, com certeza, foi determinante para mudar o cenário dos pequenos da Formula 1, outrora concentrado no poder dos carros da Ferrari e McLaren. O britânico Button ascendeu mundialmente com o título e não recusou a proposta da McLaren, hoje faz dupla com o conterrâneo e também campeão mundial, Lewis Hamilton. Rubinho escapou de uma temporada apagada, ganhou corridas e agora tem novas expectativas para 2010, e vai pilotar uma Williams.
Temporada passada também foi o ano de volta por cima na carreira em que Mark Webber, finalmente, se reecontrou com a vitória. Ano de consolidação para Vettel, alemão jovem e talentoso que não desafinou nos momentos de adrenalina, ao contrário do inconseqüente Hamilton. Piloto de ambição que causa impacto da maneira precoce que levou aos topos. O entrosamento com Webber e a RBR por mais um ano vai beneficiar a escuderia austríaca para competir lado a lado dos novos adversários. E novos adversários bem fortes
O ano de 2009 é uma triste lembrança para Massa e para a Ferrari. A equipe não obteve bons rendimentos e ficou fora do esperado. E o piloto brasileiro teve sua temporada interrompida por um grave acidente na Hungria. O seu retorno as pistas e a competitividade são aguardadas com triunfo, tanto no Brasil, como na Itália. Mas esse ano Don Alonso de las Astúrias também vai competir com o carro vermelho-sangue. Problema para os brasieliros? O bicampeão mundial, agora, tem o suporte de uma máquina, para voltar a mostrar tudo que sabe como piloto. A ousadia de conquistas passadas é o que coloca Fernando Alonso como um dos principais candidatos ao título de melhor em 2010. Mas o duelo interno na Ferrari entre Massa x Alonso será um show à parte.

Foto: Getty Images
Transferências de peso à parte, a associação de escuderias entrou em acordo com a Federação depois de muitas delongas em 2009. O regulamento neste ano não contará com o teto financeiro, mas há outras novidades para esta temporada. A zona de pontuação foi estendida até o décimo lugar, não haverá mais o reabastecimento durante a corrida, mudança que causa mais estranheza para quem está acostumado. A nova regra implica em novas estratégias, e a certeza de que ninguém mais terá o azar que Massa teve em Cingapura, quando o carro ficou preso no pit stop pela mangueira de combustível.
A temporada de 2010 terá seis carros a mais em disputas, nas escuderias que voltam ou estréiam na F1, dois brasileiros correrão pela primeira vez e dividirão a nossa torcida. Ta certa que a probabilidade é mínima, mas torceremos para que façam corridas promissoras e um bom começo de carreira na mais alta elite do automobilismo. Bruno Senna e Lucas di Grassi serão os novatos brasileiros, duas grandes promessas, e um desses carrega no DNA o sangue do eterno ídolo Ayrton Senna.
Bem sabemos dos assolamentos causados pela crise financeira em empresas de todo o mundo e o espetáculo da F1 sempre movimentou um índice altíssimo de dinheiro, coisa exorbitante. De pouco em pouco escuderias foram sendo afetadas pela crise, o que fez a Toyota romper o contrato com a corrida. Uma outra anormalidade atrapalhou a sobrevivência da Renault, os escândalos de Briatore x Nelsinho fez com que a escuderia francesa pagasse uma alta multa e conseqüentemente viu a evasão de seus principais patrocinadores. Mas a Renault está em plena fase de reconstrução, uma aposta na reviravolta, Robert Kubica, por enquanto tem a difícil missão de trazer esses resultados, o segundo piloto ainda não foi confirmado.
Não bastasse tantas novidades para esse ano, a BrawnGP, agora é Mercedes e além de Nico Rosberg, descendente de Keke Rosberg, o maior campeão de todos os tempos está de volta, o alemão Michael Schummacher, desistiu da aposentadoria e correrá pela Mercedes em 2010. Surpresa acompanhada de expectativa. O que esperar de um Schummacher em um bom carro? Pergunta será respondida em cada circuito, onde não faltarão batalhas entre companheiros de equipe, ainda menos entre pilotos de diferentes escuderias. Apesar da idade, e do nível de vai competir contra, acredito que Schummacher não será um fiasco fim-de-carreira, mas também está claro, que ele tem muitas chances de ficar fora do octacampeonato, levando em conta o nível dos outros competidores.
Por Wiliam Amorim
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22/12/2009, 11:13 por Wiliam Amorim
Com o mundo nas mãos
O Mundial inédito coroa a temporada impecável do Barcelona

Foto: Agência EFE
A final contra o Estudiantes foi atípica para o time catalão. O futebol entrosado e bem coeso do melhor time da Europa estava omisso, o nervosismo cortava as criações dos craques convocados para, enfim, trazer o título inédito para o Barcelona. O sonho do mundial foi desmistificado, os brasileiros que sempre atrapalharam o Barça em 2009 foram precisos pra deixar a ironia, desta vez, alegre.
Com a raça superando a técnica, marca-identidade do time de La Plata, o Estudiantes inaugurou as redes em Dubai e colocou o Barcelona em desespero. Talvez flashes dos fracassos anteriores passassem na mente da torcida que viu o Barcelona morrer na praia contra o São Paulo em 1992 e recentemente contra o Inter em 2006. O técnico Josep Guardiola protagonizou o primeiro declínio de dentro do campo, sua redenção só viria com a vitória. E graças a um gol brasileiro aos 43 do segundo tempo e um gol argentino na prorrogação, Guardiola foi contemplado com tal redenção. E a torcida pôde enfim ter a sensação de carregar o mundo nas mãos.
A temporada 2008/2009 foi perfeita para o Barcelona, conquistou todos os títulos que disputou, mas para uma equipe tão potente, o império catalão quis deixar uma marca ainda mais histórica, uma marca diferente. Só o Mundial Interclubes trouxe esse sentimento de dever cumprido a um elenco vitorioso. Um elenco que tem Xavi, Puyol e Iniesta, campeões da Euro 2008, tem Lionel Messi, ouro em Pequim e melhor jogador de 2009, tem também Daniel Alves, destaque brasileiro na conquista da Copa América 2007 e Copa das Confederações 2009, além dos consagrado, Henry e Ibrahimovic e todos jogadores africanos que vencem o preconceito e a miséria e as guerras civis enfrentadas pelo seu povo e hoje pode ser embaixadores africanos que erguem o mundo nas mãos. Realmente um esquadrão fantástico, que fazem do futebol um espetáculo.
Agora, se engana quem acredita que depois de conquistar o mundo não há mais nada a fazer. Conquistar o mundo pela segunda vez é o novo desafio do Barça. Privilégio que times brasileiros já tiveram (Santos de Pelé e São Paulo de Raí).
Na última aparição futebolística do ano, Barcelona não deixou de ser contemplado mais uma vez, Messi ganhou, pela FIFA, o prêmio de melhor jogador do ano. Mesmo que isso já era dado por certo, quando seu time ganhou a Liga dos Campeões, sempre ficava uma expectativa no ar. Messi então é o primeiro argentino a receber esse prêmio e se tornou também o sucessor de Cristiano Ronaldo.
Para Sebastian Verón e seus companheiros de clube sobrara, somente, a desolação de te chegado tão perto. Um gol não foi o suficiente para segurar os intensos ataques do Barcelona, que aos poucos se equilibrou emocionalmente pra poder vencer. O time de La Plata leva também o orgulho de ter ido de peito aberto e de igual para igual contra a potência mundial que é o Barcelona, além de algumas condecorações eles levam de volta pra Argentina mais uma chance de conquistar a América, chance que rivais antológicos como Boca Juniors e River Plate não terão como sequer tentar.
Por Wiliam Amorim
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11/12/2009, 9:57 por Wiliam Amorim
Cinco estrelas e um asterisco
Arrancada triunfante tira o Flamengo da fila de 17 anos

Foto: Alexandre Durão
No Rio de Janeiro e em cada canto do Brasil as ruas estavam inflamadas de duas cores: o rubro e o negro e um grito uníssono de hexacampeão. O Flamengo, indiscutivelmente a maior torcida do Brasil*, está com motivos de sobra para comemorar, não afinou diante uma decisão e depois de 17 anos conquistou mais um título de expressão.
Amparado pelos pés ‘mágicos’ de Petkovic, o Fla chegou paulatinamente ao topo do Brasileirão, passou por cima das potências que também disputaram o título. Palmeiras, São Paulo e Atlético Mineiro ficaram só na galria de uma campanha vitoriosa do Flamengo.
Mais que um título bordado na camisa do Flamengo, o ano foi coroado com vários desabafos. O mais visível foi quebrar o ciclo vicioso dos times paulistas, que mantinham uma hegemonia de cinco anos consecutivos. O time carioca até a pouco mais da metade do ano estava sob muito tumulto. O time rompeu com tradições. O fim dos patrocínios e os constantes atritos com a torcida não previam como o ano terminaria. A exemplo disso, logo nas primeiras rodadas, o Fla foi goleado pelo Coritiba por 5×0, fim de tudo, Fla campeão e Coxa rebaixado.
Outro segredo para um Flamengo que superou as adversidades foi na dança do treinador Cuca. Andrade assumiu como interino, mas o empenho à profissão trouxe resultados satisfatórios para o time. Andrade se manteve no cargo e foi o treinador que saiu campeão, superando equipes de Paulo Autuori, Muricy Ramalho, Vanderley Luxemburgo e Tite.
Confesso que com a força dos clubes paulistas, mineiros e gaúchos, não veria tão cedo uma elenco flamenguista levantar a taça, se tornando então sucessores dos mestres rubro-negros do passado. E que ganhar logo esse campeonato parecia também impossível, inacreditável. A cada rodada um equilíbrio, nada se podia prever com tantos resultados que frustravam os apostadores. Mas de todos os times que disputaram a liderança, só o Flamengo não sucumbiu, aproveitou das situações e ergueu a 5ª taça do Brasileirão ao som de Hexa, no apoteótico e lotado Maracanã.
Agora, para quem tem bom senso do profissionalismo, e para todos aqueles que não torcem para o Flamengo, ficou tomado por indignação ao ver o Corinthians dançar a dança do corpo mole e camaradamente entregar três preciosos pontos para o Flamengo, enquanto outros três times disputavam o título. A campanha dos ‘entrega’ não parou por aí. A torcida do Grêmio, disposta a tudo para não ver o arquiinimigo, colorado, ser campeão, endossou o grito de ‘entrega’.
Copa União, um asterisco
Depois da festa e da poeira de uma paixão doentia abaixar, a polêmica ganha força cada vez mais e o asterisco de 1987 na história do mengão volta a incomodar. Está mais do que provado que a CBF, órgão responsável pela organização do Campeonato Brasileiro, não reconhece o Flamengo como o campeão de 87 e sim o Sport que cumpriu o regulamento até o fim. Mas a ilusão do Flamengo em ser hexa com cinco títulos ganha força com apoio de forte emissoras de TV e de torcedores que ignoram qualquer discussão nesse âmbito.

Foto: Alexandre Durão
*Maior torcida do Brasil
Independente se são seis ou cinco, estrategicamente fora da discussão, a imensa torcida do Flamengo só quer comemorar. Que o Flamengo é a maior torcida do Brasil isso todo mundo sabe e não discute. Contudo minha atenção fica alarmada para o surgimento de tantos flamenguistas que parecem brotarem nos momentos de glória do time, festeja, festeja, festejam e juram uma paixão doentia pelo clube, garantia de públicos recorde no Maracanã, público que chega a entrar em contradição com a média de clube, isso pode ser natural, mas tenho a idéia que há diferença entre torcedores e simpatizantes do flamengo. Pois aqui no Brasil, principalmente nas classes baixa, sabemos bem que se dizem católicos aqueles que não tem religião. Tradicionalmente também se dizem flamenguistas aqueles e aquelas que não tem time. Toda essa geração pode ser explicada por ser a ceifa que a turma do Fla nos anos 80 cultivou, ou o bombardeio midiático que temos do Flamengo hoje em dia. A única e boa certeza é que essa torcida do Flamengo, hoje e durante todo o ano de 2009, foi a torça do time.
Por Wiliam Amorim
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03/12/2009, 11:48 por Wiliam Amorim
As finais do Brasileirão
Sem saber aonde e para quem, teremos um domingo de glórias e tragédias

Montagem: Wiliam Amorim
Ao longo desse Campeonato Brasileiro nos acostumamos com o equilíbrio e estamos cansados de saber que uma rodada é o suficiente pra mudar muita coisa na tabela. Com tanta irregularidade de quem lidera, tudo se tornou tão emocionante, do G4 ao abismo da degola já revelou momentos eletrizantes e saber que só falta uma rodada e muita gente pra se decidir vem muita adrenalina ainda pela frente.
Mas, na verdade, a emoção da derradeira rodada está sob o comando do Grêmio que enfrenta o líder isolado Flamengo, no apoteótico Maracanã. O rubro-negro do Rio, caso vença, não precisa torcer pelo tropeço de ninguém, se torna o campeão e frustra sonhos dos concorrentes Inter, Palmeiras e São Paulo. Com o arqui-rival na disputa, o Grêmio e toda sua torcida fala de manipulação de resultado. Para sequer correr o risco de ver o Colorado chegar ao tetra, os tricolores gaúchos já tem até campanha: “Entrega Grêmio”. A maior possibilidade é mesmo essa, visto que o Grêmio não aspira uma melhor colocação no Brasileiro. Mas esquecem de valer-se do título de imortal ou de algumas verdades que diz o hino, “Mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.
Tirando o foco do Grêmio, o Fla tem lá todos seus méritos para chegar onde está. O time passou por cima de concorrentes como Palmeiras, São Paulo e Atlético-MG. Destaque também para o futebol do sérvio mais carioca de todos, Petkovic ignorou a idade jogou como um garoto e foi peça-chave na reação que colocou o Flamengo nas cabeças e agora a um passo de um contestado hexa e confirmar o tão sonhado penta.
Sem a idéia, de o imortal entregar o jogo pro Fla, o Internacional passa a ser grande candidato a esse título. Dizia-se no ano passado que o elenco e a estrutura do Inter o fariam campeão em 2009, mas logo depois de ser vice na Copa do Brasil, a marcha desandou para o Colorado, começou a tropeçar quando se tinha a liderança e então ficou distante, a recuperação foi tardia, mas corre como principal assustador do Flamengo. E Embora ter um adversário mais fraco, será necessária muita frieza, pois vai jogar contra um desesperado, o Santo André, que ainda alimenta chances matemáticas de escapar da degola.

Palmeiras e São Paulo são as esperanças paulista de manter a hegemonia que vem desde 2004. Jogam sob muita desvantagem por ter uma vitória a menos que o Inter, além de ver o Mengão jogar no Maraca lotado e a dois pontos na frente, quando até a torcida adversária vai gritar Mengoooo. No caso do Verdão, a batalha contra o Botafogo pode levar o título de Missão Impossível. O Engenhão terá uma torcida empolgada e apaixonada pelo Boatafogo, no desespero de evitar mais um rebaixamento, e se o título não vier para o Palmeiras, a obrigação é de no mínimo sustentar a vaga no G4, para isso precisa de um ponto. Revestidos pelo manto da esquadra azurra, o time do Palmeiras se superou na Libertadores e fez o impossível, mas ao longo do Brasileirão colecionou decepções, chegou a ser considerado a vergonha do ano, com todo planejamento feito, mas é verdade é: a boa campanha do primeiro turno os trouxe a respirar e acreditar novamente no título, após contusões e polêmicas.
E o atual tricampeão voltou? A razão diz que não, e os múmeros dizem talvez. O São Paulo em 2009, passou por vexame na Libertadores ao ser eliminado no Morumbi pelo Cruzeiro, consequentemente perdeu o Muricy, mas recuperou o fôlego no Brasileirão, empolgou sua torcida com as arrancadas vitoriosas e por sua regularidade, mantida até antes dos confrontos diante do Botafogo e do Goiás, onde não somou nenhum ponto e perdeu a liderança. Agora tem a menor das probabilidades, e chegar perto do recorde desejado de ser tetracampeçao consecutivo. Mas o São Paulo é o time da fé! A torcida ignora a matemática e combina teorias que o levariam ao feito inédito e glorioso. No final tudo isso pode ser decidido no saldo de gols. Cada gol pode valer o título. E para um São Paulo, acostumado a ser campeão, passar o que passou esse ano, a torcida não vai deixar de acreditar enquanto houver chances.
Mas se no domingo o Grêmio fazer com fez o Corinthians a graça do campeonato desce e a emoção fica na luta dos desesperados que correm para escapar do rebaixamento.
Os pernambucanos estão fora! Santo André luta contra a potência de um Inter no Beira-Rio e contra a matemática, ainda torce para tropeços. O Botafogo também no G4 tem a última chance do ano, contra o Palmeiras. O fator torcida estará ao lado do Botafogo e graças ao confronto direto, com a vitória ele não depende de mais nenhum outro resultado. Nesse clássico Rio-São Paulo os dois lutarão com a mesma vontade é nível de final.
Dois cadidatíssimos ao rebaixamento sai da “final” entre Coritiba x Fluminense. O perdedor desse jogo fica com o pé na cova. Quem vai ganhar? Essa pergunta só é respondida dentro dos 90 minutos, mas podemos estruturar e ajudar quem busca as respostas.
Fluminense: há várias semanas adotou uma maratona de jogos diferente dos demais que estão disputando o Brasileirão, muito cansativa também. Com muita raça e determinação conciliou as decisões da Sul-Americana com a reação na fuga do rebaixamento no campeonato nacional. Muitas viagens, altitudes, ainda ver todo esforço o deixando como vice mais uma vez pra LDU. Os jogos do Tricolor Pó-de-Arroz, têm sido tensos e intensos. Coritiba: Jogará no Couto Pereira, ao lado de sua torcida, pressão nos 90 minutos de um time que está a parte desse momento heróico do Fluminense e fará de tudo para que o time não caia no ano do centenário. Com tantas decisões para o tricolor do Rio, haja responsabilidade e coração. Para quem torce pro Flu e declarou todo amor na final do Maracanã contra a LDU, tem que saber que tudo no Brasileirão também pode ir por água abaixo, se derrotado for, vão preparados para o pior.
Sem saber aonde e para quem, teremos um domingo de glórias e tragédias.
Por Wiliam Amorim
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19/11/2009, 20:03 por Wiliam Amorim
O curioso caso do milésimo gol
De tantos golaços que Pelé protagonizou na carreira, o milésimo deveria ser justamente de pênalti

Foto: Divulgação
Os milésimo gol de Pelé curiosamente foi marcado em cobrança de pênalti. Esse feito comemora os 40 anos e é celebrado por Pelé outros medalhões do futebol, não sei até quando comemorarão isto. O gol de número 1000 em si não deveria ser o mais comemorado, teve gosto de lance forjado. Digo isso sem nenhum desprezo, até porque Pelé conseguiu ser craque e goleador, mesmo quando no mundo quase ninguém entendia o idioma futebol. O que me chama a atenção é justamente o milésimo gol depender de uma mão da arbitragem.
O questionável não são os outros 999 gols, não no caso do Pelé, mas sim a maneira como que soa ‘armação’ o gol de número mil com este lance. E 38 anos depois Romário também completa mil gols e da mesma maneira, convertendo um pênalti, essa combinação pode ser só mais uma jogada do acaso, mas não tira a impressão que tudo não passou de uma forçada de barra.
A euforia que é estar a um gol do milésimo, é extrema e parece infindável. A vontade de entrar para a história de Pelé como figurante nessa marca impressionante, talvez colaborasse para que tenha saído da pior maneira, sempre ouvi que não existe golaço de pênalti, e golaço era uma coisa que Pelé estava acostumado a fazer.
Entendo que todos esperavam esse gol com ansiedade em demasia, todos mesmo. A torcida do Baêa que digam com propriedade. No falecido estádio da Fonte Nova, em Salvador, os torcedores do Bahia vaiaram seus zagueiros por interceptarem o chute do Pelé quando a bola chegava na linha do gol. Pra mim o Nildo, defensor baiano, foi verdadeiramente um figurante importante nessa conquista, pelo profissionalismo demonstrado.
Ninguém mais queria estragar a festa, e essa tese se firmou com mais alguns fatos. Pelé nem era o cobrador oficial de penalidades e naquele dia ninguém esperou o rebote. Era ele e o goleiro, o milésimo não passaria dali, a não ser que Andrada encaixasse a cobrança. Mas foi absolutamente impossível. O 10 do Santos cobrou com muita categoria, pelo menos isso.
Por conta do lance faltoso na área do Vasco nessa partida ‘histórica’ em 1969, contra o Santos, todos, exceto os torcedores da Colina, agora conhecem o goleiro Andrada como o cara que levou o 1000 do Pelé e não como o bom goleiro que foi pra o Vasco da Gama.
Pelé comprovadamente passou os quatro dígitos de gol, mas aquele pênalti foi um circo com espetáculo armado, coincidentemente ou não, Romário também fez o milésimo de pênalti, apesar de ainda não convencer 100% de onde saíram o restante dos gols (isso não diminui o craque, matador que é). Tomara que Túlio Maravilha, jogador com contagem questionável, que aproveita terra de cego para ser rei pelo menos comemore o “milésimo” com um gol de bicicleta, voleio, cabeça e até de bico também vale, mas pênalti é combinação demais.
Por Wiliam Amorim
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06/11/2009, 10:15 por Wiliam Amorim
Emblema de Raça
Juan Pablo Sorín escreve nas páginas heróicas e imortais do Cruzeiro

Foto: Vipcomm
No Futebol, ele não é artilheiro, não é nenhum camisa 10, nem brasileiro ele é, mas em Belo Horizonte foi intitulado cidadão honorário. Juan Pablo Sorín agora entra pra um novo time: O time dos ex-jogadores. O estilo de jogo do ala esquerdo argentino vai cravar uma saudade eterna nos argentinos, na torcida cruzeirense, onde se tornou ídolo e de outros admiradores de coadjuvantes como ele.
Foram 15 anos de um futebol jogando com seriedade e com raça, e recentemente com liderança, determinantes para fazer de um lateral esquerdo um grande ídolo. Revelado pelo Argentinos Juniors de Buenos Aires, Sorín passou pelo River Plate, onde conquistou os títulos mais importantes na carreira de um argentino: Apertura, Clausura e Libertadores. Depois chegou no Cruzeiro pela primeira vez.
Posteriormente ele rumou pra Europa. Barcelona, Turim, Paris até que teve mais uma passagem por BH, onde foi marcante mais uma vez.
Sorín sempre foi o principal coadjuvante, normal para quem nem sempre é autor do gol. E sempre foi exato em desarmes, passes e lançamentos todos primorosos e com um “Q” de garra, como quem usava todas alternativas pra ver seu time balançar a rede adversária, essas foram as qualidades que o marcou como um excelente jogador. Sempre foi obstinado pela vitória, dono de futebol ao mesmo tempo muito técnico. Seu pensamento sempre foi o amparo a equipe, ignorando o individualismo. Por onde jogou sempre foi o coração do time. Prova disto quando ao lado de Riquelme e Forlan, levou o Villarreal às semifinais da Liga dos Campeões e também quando foi peça principal na articulação e criação de jogadas vestindo a camisa da Seleção Argentina na campanha da Copa de 2006. Naquela oportunidade, o canhoto foi capitão.
Embora ter conquistados títulos mais importantes da sua carreira com o River e ter assumido funções importantes na Argentina, jogando três copas do mundo, o time mineiro é o que Sorín mais se identificou e o carinho é recíproco, tanto a torcida da Raposa, quanto o clube fizeram do lateral uma figura emblemática, um ídolo da história recente, que chega a dar mais orgulho que qualquer outro jogador uma relação transcendental por todos os fatos heróicos de Sorín com a camisa azul.

Foto: Reuters
O respeito que o jogador conquistou é explicado em alguns episódios. Como quando arrancou aplausos no Mineirão, mesmo atuando com a camisa da Argentina e fazendo gol contra o Brasil. O sentimento é explicado também quando agora aposentado, o ex-jogador não deixa o Brasil, mesmo depois de ter passado pelo primeiro mundo. Sua diferença talvez seja que com a constelação do Cruzeiro do Sul no peito ele foi mais do que um jogador, foi também um torcedor e nunca será um exagero chamá-lo de creaque.
Por Wiliam Amorim
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20/10/2009, 11:28 por Wiliam Amorim
Button is the champion
Em Interlagos, Button é o novo campeão da F1

Foto: Reuters
Ver uma animada torcida de Fórmula 1 gritar o nome de Rubinho após uma pole position ousada e heróica foi o suficiente para encher o Brasil de orgulho. Barrichello viu Button ficar no Q2 e largar em décimo quarto e manteve a esperança no título ou pelo menos na vitória diante de sua torcida. Ver uma largada perfeita e volta após volta fazer o melhor tempo e abrindo vantagem do segundo colocado não foi o suficiente para que o brasileiro mantivesse a ponta e terminasse a prova melhor que o companheiro de equipe, Button, novo campeão da F1.
A chuva alagou o circuito no treino de sábado, fez dele emocionante. Na corrida não havia nada mais que apenas nuvens carregadas, o jeito foi engolir à seco mais um título inglês e um pódio sem brasileiros. Mark Webber venceu a corrida, Kubica e Hamilton também subiram ao pódio para completar a festa dos coadjuvantes.
Campeã de construtoras logo no ano de estréia e com a possibilidade de deixar dobradinha no ranking dos pilotos consolida a BrawnGP como uma nova potência da F1. E por falar em consolidação, o pequeno Sebastian Vettel, agora, entra na lista dos favoritos. A RBR ganha com isso.
Para que Button e Ross Brawn chegassem a glória em 2009, muitos nomes tiveram de decepcionar o rol de favoritos. A Ferrari não saiu do provisório a temporada correu e a máquina vermelha de Raikkonen foi mero figurante no combate entre Brawn e RBR. Boa parte desta frustração foi prenunciada com os erros grotescos acometidos no ano passado que por fim podaram o triunfo de Felipe Massa.
Lewis Hamilton e a McLaren não conseguiram assustar ninguém nesta temporada, quando o queridinho da McLaren começou a pontuar pra valer, Button, inconteste, já havia ganhado seis corridas. Fora os tantos fracassos da escuderia somados este ano.
Quem não está mais com nada são os carros da Renault, estão na frente apenas de STR e Force índia, e acredito que mais três GP’s os fariam perder mais uma posição. Após o caso Nelsinho x Briatore, a equipe francesa vive declínio dentro e fora das pistas. A recuperação até é visionada. Kubica e Lucas di Grassi pode ser a dupla de pilotos da Renault para o ano que vem, mas a garantia virá com os resultados, dentro da pista.
Por fim, a campanha vitoriosa de Button foi projetada bem mais na insuficiência dos adversários, o mérito foi o aproveitamento e a regularidade, ao contrário da campanha de Hamilton em 2007. Um exemplo foi o GP do Brasil. Michael Schummacher já largou algumas vezes da 14ª colocação, de lá ele fazia corridas emocionantes, ultrapassagem por ultrapassagem até chegar na zona de pontuação ou até pódio. Button em Interlagos até foi versátil em algumas ultrapassagens, mas ganhou mais posições nas batidas de carros que o intermediava.
Os ventos do Brasil sopraram bonança na terra da Rainha mais ume vez. As nuvens carregadas impediram a chuva, agora, Interlagos guarda o nome Button em uma galeria de campeões ao som do clássico We are the champions. Pra Rubinho a temporada o devolveu por completo à competitividade, já que ele, perto da aposentadoria estava longe também dos históricos segundos lugares.

Foto: AP
Felipe Massa não pode entrar de vez nos duelos deste ano, quando começou a trilhar os caminhos da reação, um terrível acidente em Budapeste deixou-o inativo para competir. A velocidade da recuperação do acidente confirmou e configurou o acontecido em um milagre. A salvo coberto pela precaução dos médicos, ele não se afastou da orquestra sonora dos motores. No Brasil foi o grande convidado de honra de que deu a bandeirada final.
Por Wiliam Amorim
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16/10/2009, 11:59 por Wiliam Amorim
Inacreditáveis
Conquistas de um presente glorioso levam o São Paulo a acreditar no Hepta

Foto: Autor Desconhecido
Antes dos pontos corridos, ir bem no Campeonato Brasileiro significava terminar o ano entre os oito primeiros colocados e disputar as quartas-de-finais. A boa campanha em turno único não tinha muito peso decisivo, tornando a tarefa de ser campeão mais difícil e para muitos, injusta.
E as vagas para a Libertadores eram mais escassas, geralmente duas: somente campeão da Copa do Brasil e do Brasileirão tinha o acesso.
Neste módulo o São Paulo foi campeão três vezes.
Numa história ainda mais recente, o Tricolor Paulista aproveitou os pontos corridos e se sagrou hexacampeão nacional, além de ser o melhor embaixador brasileiro no exterior, com três Libertadores e três mundiais. Feitos não superados por nenhum outro clube de futebol do País.
Acostumado com os melhores lugares o São Paulo se livrou da sina de vice-campeão e mostra total adaptação ao futebol da moda. Moda que agora é buscar um título em dois turnos ou garantir um lugar entre o quarteto fantástico (G4). Mas para o Time da Fé essas estatísticas não representam o limite. Campeão das três últimas edições (2006 a 2008) o time não fica fora de uma Libertadores desde 2004.
Portanto, fica muito claro que um lugar no G4 não vai contentar o São Paulo de 2009. E cinco pontos de diferença farão o elenco das core gloriosas entregar de bandeja um título para o Palmeiras. Nos próximos nove confrontos, o Tricolor pode até não ser o campeão, no entantos não vai interromper esta sequência heroica sem lutar.
Por Wiliam Amorim
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05/10/2009, 22:52 por Wiliam Amorim
Esperança na terra do Sol Nascente
Vettel mostra regularidade e mantém expectativa

Foto: Getty Images
Sebastian Vettel é um piloto com um diferencial. Ingressar cedo na Formula 1 e dentro de uma escuderia sem expressão, não foram fatores que limitasse os resultados do pequeno. Ainda melhor nesta temporada, com a pomposa vitória em Suzuka no Japão, Vettel é um dos únicos pilotos que pode desbancar a enorme vantagem do piloto britânico Button, a três pontos de ser o campeão.
Dos poucos pilotos que venceram um GP este ano, não vi alguém que administrasse a ponta tão bem quanto Vettel. Das três vitórias em 2009, fez com primorosidade e tranqüilidade, parecia que voava na pista. Aliás, foi este pequeno alemão que tornou a temporada deste ano mais atraente, quebrando a hegemonia de Button, com isso atraiu visibilidade e foco para a RBR.
O brasileiro tão acostumado com os segundos lugares tem mais uma oportunidade de surpreender a torcida no Brasil, se vencer um dos seus maiores desafios. Vencer duas corridas seguidas e ser maior que o companheiro de equipe. A Brawn GP que apadrinha os dois primeiros pilotos na classificação está feliz e a meio ponto do título dos construtores. Ross Brawn, consagrado este ano por suas constantes estratégias vitoriosas, teoricamente deve não interferir no duelo Button x Barrichello, mas as precedentes corridas não dão essa garantia.
Das duas uma. Interlagos pode mais uma vez revelar o campeão da temporada. Assim como em 2009, neste ano há o duelo Brasil x Inglaterra, onde o favoritismo é novamente um personagem na terra da Rainha. Um contexto lamentável. Justamente no Brasil vimos Massa perder o título por uma curva, por um ponto. Este ano a vantagem inglesa é ainda mais incontestável, sem levar em conta toda a mística que empurra o Rubinho para as segundas colocações.
Também inspirado no passado, Vettel ameaça o conforto de Button. Em 2007, Kimi Raikkonen, o homem de gelo, fez o impossível, contou com a inexperiência decisiva de Hamilton e a desvantagem de Alonso e desbaratinou as McLarens em uma corrida histórica, também realizada no circuito de Interlagos e foi o grande campeão da temporada. Para mostrar que o automobilismo também é um esporte surpreendente não nos falta exemplo, basta lembra de quem era a Brawn o ano passado.
Por Wiliam Amorim
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